O CSG participa no Congresso Luso-Afro-Brasileiro (CONLAB) – Chamadas de trabalhos

 

As investigadoras CSG, Sofia Bento (SOCIUS/CSG/ISEG), Jessica Falconi (CEsA/ISEG) e Helena Mateus Jerónimo (ADVANCE/CSG/ISEG)  coordenam três grupos de trabalhos no âmbito do Congresso Luso-Afro-Brasileiro (CONLAB) e do 3º Congresso da Associação Internacional de Ciências Sociais e Humanas de Língua Portuguesa, a acontecer em Coimbra, de 2 a 4 de setembro de 2020.

 

Coordenação: José Luís Garcia (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa); Teresa Duarte Martinho (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa); Filipa Subtil (Escola Superior de Comunicação Social, Instituto Politécnico de Lisboa); Helena Mateus Jerónimo (ADVANCE/CSG/ISEG)

O processo de digitalização em curso tem impulsionado mudanças substanciais na esfera social, comunicacional, política, económica, cultural, normativa. Tal processo assume uma dinâmica que tem sido tão estimulada como tornada transversal, ao ponto de se manifestar de forma hegemónica. Neste cenário, é cada vez mais necessária a análise reflexiva e crítica do processo de digitalização por parte das ciências sociais. Entre as questões que este painel pretende debater e abranger estão: situar o actual processo de digitalização no seu contexto social e históri-co; explorar os modos como a introdução das tecnologias da comunicação contemporâneas estão a afectar os grandes domínios do mundo social, político, cultural, económico, laboral e nor-mativo; relacionar estilos de vida e literacia digital; analisar as implicações nos media e no jornalismo; compreender os problemas da privacidade, protecção dos dados e vigilância no quadro da disseminação dos meios digitais; examinar as políticas públicas, nacionais e internacionais, relativas ao processo de digitalização; indagar as consequências da digitalização no entendi-mento do que é “humano?

Coordenação: Maria Paula Meneses (CES-UC); Jessica Falconi (CEsA/ISEG); Isabel Noronha (Universidade Politécnica de Moçambique)

Do ponto de vista cultural, descolonização significou desde meados do século XX a inversão do olhar e do pensamento sobre o mundo colonizado, que por sua vez reivindicou o direito a um saber que se desprendesse do universalismo a que aspirava o discurso humanista europeu, afirmando a necessidade de imaginar, de olhar, narrar e perspectivar-se nos seus próprios termos. Independentemente do quadro político em que se deram os processos de descolonização, o momento das independências significou, para os colonizados, a possibilidade de reinvenção social e cultural de comunidades que se procuravam então constituir em Nação. Neste momento ímpar, no campo do cinema a utopia e a emoção da liberdade conquistada accionaram mecanismos de descoberta e experimentação de novas linguagens e diferentes estéticas, que servissem os propósitos que norteavam a sua produção, muitas vezes vista numa lógica política de cinema-acção, muitas vezes inspirada em movimentos vanguardistas do cinema mundial e terceiro-mundista, mas procurando dialogar com os saberes populares e as culturas locais , sobretudo a música, a dança e a literatura. Volvidas várias décadas sobre o processo de descolonização dos países africanos sob dominação portuguesa, a história deste processo e os seus efeitos na contemporaneidade representam um terreno ainda sensível e complexo. Por um lado, sentimentos de perda, lutos por elaborar, culpa, discursos que negam ou suavizam a violência colonial, análises unilaterais e invisibilizadoras da contraparte colonizada do processo, continuam a marcar a narrativa portuguesa sobre a descolonização. Do lado dos países que acederam às suas independências, também recaiu um pesado silêncio sobre esta história, marcada por políticas radicais e autoritárias, por guerras civis, por violências sequenciais que ainda afectam as relações sociais contemporâneas, sendo muitas vezes reflexos de uma descolonização por concluir. De que modo o cinema foi acompanhando este processo, desde as independências até à contemporaneidade, “documentando” e/ou questionando os moldes em que se foi dando a descolonização? Que histórias e memórias pretende resgatar e quais as narrativas que permite reconstituir? Num diálogo interdisciplinar, este GT procurará refletir sobre a relação entre cinema e descolonização, entendida enquanto processo e conceito que continua a marcar debates e teorias, bem como relações políticas, sociais e culturais. Pretende-se estimular esta reflexão através da exibição de filmes (documentários e filmes de ficção, em película ou vídeo, acabados e inacabados); do diálogo com cineastas “descolonizantes”; da apresentação de trabalhos académicos que analisem, dialoguem, visibilizem filmes relacionados com a descolonização em sentido amplo, convocando também questões de circulação, receção e conservação dos filmes.

Coordenação: Adriana Bravin (Universidade Federal de Ouro Preto); Lúcia Fernandes (Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra); Marco Malagoli (Grupo de Estudos e Pesquisas em Ecologia Política, Universidade Federal Fluminense Campos dos Goytacazes); Sofia Bento (SOCIUS-ISEG-CSG, Universidade de Lisboa)

O discurso dominante busca convencer-nos que a questão ambiental é universal e afeta as pessoas de maneira igualitária (e a ninguém especificamente). O “ambiente” apresenta-se como campo de disputas e conflitos onde estão presentes diversidades e desigualdades através das quais os problemas ambientais – locais, nacionais e globais – afetam diferentemente grupos humanos, não humanos, ecossistemas e suas dinâmicas geográficas. Historicamente, a constituição e distribuição desigual de poder (nas relações de género, étnico-raciais, políticas, económicas, intergeracionais, geopolíticas) criam diferenciações quanto à capacidade de (re)apropriação social da natureza e de geração de mudanças negativas para o ambiente e a saúde, bem como nas formas de produção e acesso aos saberes, incluindo-se aqui o conhecimento científico. A resistência e persistência dos pluriversos, infinidades de cosmologias e práxis não redutíveis ao moderno, patriarcal e colonial universo que herdamos da cultura política-científica dominante -mundo composto de relações complexas entre seres humanos e a natureza – têm (re)criado diversas “comunidades” (também os seres que nos acostumamos a chamar de não-humanos, não-vivos) com relacionalidades diversificadas, incluindo-se aqui a co-participação de investigadoras/es. Surgem novos contextos de tensões criativas ao pensamento coletivo-cooperativo na construção de práticas de investigação engajadas sobre questões socioecológicas, por exemplo, ameaças aos territórios, saberes e práticas por atividades económicas diversas; desastres que obrigam mudança de usos do território e migração; poluição de rios, solos, mares, etc., impedindo a vida de comunidades de seres vivos humanos e não humanos; diferentes concepções de usos de espaços da cidade, entre outros. Esta construção compartilhada de saberes socioecológicos desafia-nos a habitar outros pontos de vista que façam dialogar perspetivas, uma preocupação epistemológica e ontológica.

Interessa-nos explorar: como é que investigadoras/es se colocam no contexto investigado e como esse ponto de vista se constitui a partir do encontro com o ‘Outro’; como se dá esse movimento de tradução entre mundos e quais os desafios que se apresentam a essa construção compartilhada e respectiva comunicação. O modus operandi do fazer investigativo, neste outro paradigma, pode colaborar para a criação de diferentes “designs em ação”, originando novas questões metodológicas. A partir deste ponto de partida, abre-se um convite amplo para investigadoras/es de diferentes áreas e percursos profissionais e de vida para que submetam propostas em diálogo com um ou mais dos seguintes recortes:

  • os processos político-epistemológicos da práxis: como acontecem as dinâmicas de co-produção de conhecimentos na colaboração entre investigadoras/es e sujeitos sociais territorializados nos diferentes locus de re-existências e dinâmicas de emancipação? Como se dá o seu modus operandi – quem inicia, dinamiza e define os objetivos, a estrutura e o tempo destas dinâmicas?
  • o campo metodológico-conceitual acionado na práxis: como se definem, são tratadas e enfrentadas as dimensões epistemológica e ontológica em meio ao desafio da superação de dicotomias herdadas da modernidade (ex. cultura/natureza, teoria/prática, local/global, ciência/política)? Como a concepção dos pluriversos permite ir além de tais dicotomias na co-produção do conhecimento? Que outras possibilidades abrem-se à abordagem metodológica da investigação engajada a partir das redes e ecologias comunicativas, da contribuição dos povos originários, dos saberes ancestrais, dos feminismos, das epistemologias do sul?
  • lugar-território da práxis: como as disputas especificamente relacionadas ao lugar-território (violência, opressão, desterritorialização, nomeadamente às mulheres) aparecem nos diferentes contextos de resistência e construção compartilhada de conhecimentos? Como investigadoras/es enfrentam/incorporam estas dimensões na práxis e no conhecimento produzido?

As propostas de comunicação deverão ser compostas por um título com o máximo de 20 palavras, resumo com uma extensão máxima de 200 palavras, e cinco palavras-chave.

Os autores deverão identificar-se pelo nome, instituição, país e email. As propostas de comunicação deverão ser submetidas em português. Cada autor só poderá assinar no máximo duas propostas de comunicação. Submissões até 31 de dezembro de 2019.

Chama-se a atenção para facto de cada Grupo de Trabalho só aceitar 10 comunicações.

Para efetivar a apresentação das propostas de comunicação deverá aceder a https://www.conftool.pro/conlab2020. Depois de se registar, escolher o grupo de trabalho e submeter então a proposta de comunicação.

Para questões relacionadas com o envio de propostas, por favor, contacte: conlab2020gt@ces.uc.pt

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